2013/05/19

ADEUS






Lá estavam... fazendo o que era certo... o correto. Ambos sabiam disto... isto já devia ter sido feito. Via-se a razão abraça-los impiedosa com toda a sua crueldade e censura.
Ela olhava pra ele com olhos de dor... e falava com a voz carregada de medo. Ele a olhava tentando encontrar o que seriam as palavras cabíveis.
Mas o que são palavras quando uma história termina? São enfeites inúteis da angústia do fim. São pequenos rodeios que vão ocupando o tempo pra prorrogar um pouco o momento derradeiro da separação.
Ela sentia-se desesperada... muitas vezes tinha ensaiado súplicas... muitas vezes tinha desejado desaparecer pra não ouvir tudo aquilo. Mas estava ali. E tentava com todas as suas forças facilitar como ele pedira.
" uma conversa tranquila” ele dissera.
Como ele podia pedir isto? Em que lugar ele tinha o coração?
Mas ela prometera a si mesma que iria fazer do jeito dele...
Por ela teria gritado que o amava...que ela tornara-se parte dele... que ele estava nela pra sempre... que ele era tudo em sua vida... que ele estava sendo louco em jogar tudo fora...que os dois não tinham mais o tempo de adolescentes... que a vida agora era curta... que talvez muito pouco de felicidade ainda restava... que se ele fosse agora não teriam mais como voltar atrás e perderiam sua última chance de serem felizes... que ele estava desperdiçando um amor tão grande e forte de forma injusta e incoerente... que nunca mais eles teriam este momento nas suas vidas... mas se ele achava que este era o caminho a seguir que fosse embora de vez... que partisse pra sempre... sem mais olhar pra trás... sem mais entrar na sua vida fosse do jeito que fosse. Que ele sumisse pra sempre pra que ela pudesse arrancar de vez tudo dele que estava impregnado nela. Que ela pudesse destruir de vez aquele amor que doía dentro dela. Que ela fizesse secar de vez toda aquela fonte de carinho que jorrava dentro dela quando pensava nele. Que ele fosse e não voltasse nunca mais.
Mas ele estava ali na sua frente, doce como sempre, preocupado em não ferí-la, em ser suave, em ser sincero, em ser íntegro. Precisava dele ainda. precisava dele pra poder sobreviver. Precisava dele pra não morrer de dor.
Ela, mais uma vez, admirou aquele homem com todas as suas forças... e, mais uma vez, sentiu o quanto o amava por ser ele assim tão forte, decidido, responsável, lúcido, maduro e sábio.
Sentiu morrer  e não pode mais conter as lágrimas... e foi deixando-se desmanchar por dentro sem mais esperanças... e teve medo de não conseguir manter-se viva.
Abraçaram-se como amigos. Ele tentando ajuda-la a ser forte. Ela agarrando-se ao seu desespero. E , mais uma vez amaram-se daquela maneira quente e cheia de paixão.
Então ele foi embora... foi embora para sempre. E deixou-a ali. Sem vida. Sem forças. Sem mais nada a que se apegar.
Deixou-a morrendo aos poucos. Desesperada. Desamparada. Na mais profunda, fria e cruel solidão que um ser humano pode suportar. E ela não suportou.

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