2013/05/25
QUASE MASOQUISTA
sempre sofrendo...
antes sofria
porque havia te perdido
agora sofro
porque estás me perdendo
2013/05/19
ADEUS
Lá estavam... fazendo o que era certo... o correto. Ambos
sabiam disto... isto já devia ter sido feito. Via-se a razão abraça-los
impiedosa com toda a sua crueldade e censura.
Ela olhava pra ele com olhos de dor... e falava com a voz
carregada de medo. Ele a olhava tentando encontrar o que seriam as palavras
cabíveis.
Mas o que são palavras quando uma história termina? São
enfeites inúteis da angústia do fim. São pequenos rodeios que vão ocupando o
tempo pra prorrogar um pouco o momento derradeiro da separação.
Ela sentia-se desesperada... muitas vezes tinha ensaiado
súplicas... muitas vezes tinha desejado desaparecer pra não ouvir tudo aquilo.
Mas estava ali. E tentava com todas as suas forças facilitar como ele pedira.
" uma conversa tranquila” ele dissera.
" uma conversa tranquila” ele dissera.
Como ele podia pedir isto? Em que lugar ele tinha o coração?
Mas ela prometera a si mesma que iria fazer do jeito dele...
Por ela teria gritado que o amava...que ela tornara-se parte
dele... que ele estava nela pra sempre... que ele era tudo em sua vida... que
ele estava sendo louco em jogar tudo fora...que os dois não tinham mais o tempo
de adolescentes... que a vida agora era curta... que talvez muito pouco de
felicidade ainda restava... que se ele fosse agora não teriam mais como voltar
atrás e perderiam sua última chance de serem felizes... que ele estava
desperdiçando um amor tão grande e forte de forma injusta e incoerente... que
nunca mais eles teriam este momento nas suas vidas... mas se ele achava que
este era o caminho a seguir que fosse embora de vez... que partisse pra
sempre... sem mais olhar pra trás... sem mais entrar na sua vida fosse do jeito
que fosse. Que ele sumisse pra sempre pra que ela pudesse arrancar de vez tudo
dele que estava impregnado nela. Que ela pudesse destruir de vez aquele amor
que doía dentro dela. Que ela fizesse secar de vez toda aquela fonte de carinho
que jorrava dentro dela quando pensava nele. Que ele fosse e não voltasse nunca
mais.
Mas ele estava ali na sua frente, doce como sempre,
preocupado em não ferí-la, em ser suave, em ser sincero, em ser íntegro.
Precisava dele ainda. precisava dele pra poder sobreviver. Precisava dele pra
não morrer de dor.
Ela, mais uma vez, admirou aquele homem com todas as suas
forças... e, mais uma vez, sentiu o quanto o amava por ser ele assim tão forte,
decidido, responsável, lúcido, maduro e sábio.
Sentiu morrer e não
pode mais conter as lágrimas... e foi deixando-se desmanchar por dentro sem
mais esperanças... e teve medo de não conseguir manter-se viva.
Abraçaram-se como amigos. Ele tentando ajuda-la a ser
forte. Ela agarrando-se ao seu desespero. E , mais uma vez amaram-se daquela
maneira quente e cheia de paixão.
Então ele foi embora... foi embora para sempre. E deixou-a
ali. Sem vida. Sem forças. Sem mais nada a que se apegar.
Deixou-a morrendo aos poucos. Desesperada. Desamparada. Na
mais profunda, fria e cruel solidão que um ser humano pode suportar. E ela não
suportou.
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