Era um dia calmo de verão... não havia vento nem brisa... o
mar estava calmo... beijava a areia
branca da praia com certa lascívia.
O sol debruçava-se preguiçosamente sobre as nuvens que
atravessavam o céu azul do meio dia... não era quente... mas uma sensação de
frescor brotava das palmeiras que circundavam a praia deserta...
Ela caminhava distraída olhando as conchinhas brancas que
ficavam na areia molhada quando o mar voltava ao seu lugar, malicioso e
dócil...
Estava tudo perfeito... pensava ela... e enterrava os pés na
areia.
Foi descendo a duna devagar até vê-lo parado na curva do
caminho que ligava a vila aquele recanto perdido... pensou em voltar mas ele
virou-se e olhou-a com seu olhar forte e quente.
Ela sorriu... fazia tempo que não o via.
Ele parecia mais encantador... os cabelos mais curtos
iluminavam seu rosto.
Ele sorriu de volta... demonstrando na sua expressão, como estava feliz em encontrá-la.
As sombras das árvores iam preenchendo os espaços vazios
entre eles.
Ela parou tentando manter aquela imagem dele... parecia que
em um instante ela poderia se desmaterializar.... de repente sentiu medo do que
sentia.
Mas ele veio calmamente ao seu encontro com os braços estendidos...
sem apelos... sem receios... e a abraçou forte... um abraço de saudade
profunda... de lembranças acumuladas... de passado longínquo... de outras
terras... outras praias... outros céus e mares... outras mulheres também.
Ele era outro dentro de si mesmo... um homem cujo tempo
havia envelhecido por dentro e por fora... que agora via na sua frente a
esperança em forma sólida... palpável.
Seus olhos estavam cheios de lágrimas quando ele a olhou tão
perto... mas sua boca mostrava o sorriso mais sincero, mais aberto, mais puro
que ela jamais veria em alguém.
Ela o conhecia tão bem e sabia que apesar do tempo e das
mudanças podia confiar nele inteiramente.
Não precisaram de palavras... todas haviam sido ditas ao
deixarem-se no passado.
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